segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O filósofo Mario Sergio Cortella fala sobre o significado do trabalho e como você deve encarar os novos tempos

Fonte: Rosana Tanus - Você S/A

Em seu novo livro, Qual É a Tua Obra? – Inquietações Propositivas sobre Gestão, Liderança e Ética (Ed. Vozes), o filósofo e professor Mario Sergio Cortella mostra a importância de saber o valor do nosso trabalho. “A idéia de trabalho como castigo precisa ser substituída pelo conceito de realizar uma obra”, diz Cortella. Confira a entrevista abaixo. Como as pessoas devem se preparar para o futuro? É preciso ficar em estado de atenção em vez de render-se ao estado de tensão. O que mais garante uma presença efetiva e de melhor qualidade no futuro próximo é abrir a mente para novos ensinamentos. É claro que não é porque o mundo está mudando com velocidade que se deve mudar também o tempo todo. Em seu livro, o senhor fala da importância da autonomia no trabalho. Como construí-la no dia-a-dia? Autonomia é a capacidade de decidir por si mesmo, dentro de nossa liberdade individual. Não se deve confundir autonomia com soberania, pois esta implica fazer o que se quer, independentemente dos outros. A autonomia é a força que impulsiona a criação e a invenção. Para usá-la bem precisamos de iniciativa, empenho, persistência e compromisso com o novo. É possível desenvolver novas competências com cursos de música, de artes, de filosofia? Sem dúvida. Todas as vezes em que consigo aumentar meu repertório de conhecimentos e elaborar mais o meu estoque de sensibilidades, a capacidade de refinar minha obra se torna mais viável. O medo contribui para impulsionar a carreira? A natureza nos dotou de dois mecanismos básicos de defesa: medo e dor. Quando não atentamos para eles, ficamos vulneráveis ou sem consciência dos riscos. No entanto, medo (que é um sinal de alerta) é diferente de pânico (que leva à incapacidade de ação). Por isso, na carreira, o medo de ficar ultrapassado, de não conseguir responder aos desafios, de estagnar os conhecimentos é, sim, motivador de reação proativa. Quando se fala em ética , muita gente recorre ao bom senso. A ética tornou-se algo individual? Não existe ética individual. Ela é um conjunto de valores e princípios que orientam a conduta das pessoas em meio aos outros. A ética é sempre de um grupo, de uma organização, mas o bom senso ajuda a decidir em situações em que não há clareza dos princípios estabelecidos. Mas temos o hábito de considerar de “bom senso” aquela pessoa que pensa como nós. O que um profissional deve levar em conta na hora de decidir entre um curso mais generalista, que lhe dê prazer, e um curso específico, que terá aplicação imediata na empresa? Nem sempre é possível fazer o que está no campo do desejo. Muitas vezes é preciso adiar o desejo em nome da necessidade premente e, com isso, conquistar condições para que o desejo seja contemplado mais tarde. Alguém que se decida sempre pelo “curso específico” até obtém mais vantagem a curto prazo, mas sufoca o desejo e pode se tornar infeliz com a trajetória feita. O que é preciso fazer para se tornar um líder de verdade? Afastar a arrogância, isto é, a suposição de que já sabe o que é necessário e é suficiente exercer as competências até ali conquistadas. A humildade nos leva a saber que, para inspirar pessoas, idéias ou projetos é necessário ser sensível ao aprendizado oferecido pelas pessoas e circunstâncias.

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